Foto: Paulo Pinto e Fernando Frazão/ Agência Brasil


A corrida pela Presidência da República em 2026 teve seu início oficial neste domingo (16) com os lançamentos das campanhas em diferentes regiões do país. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o berço do movimento sindical para reforçar sua história e a pauta feminina, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ocupou a orla de Copacabana para se posicionar como herdeiro político do pai e prometer o retorno de aliados que deixaram o país e de condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023.
Lula: memória na Vila Euclides e foco nas brasileiras

Em comício realizado no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), palco histórico das greves de 1970, Lula lançou sua campanha à reeleição com forte carga emocional. Usando um chapéu devido a um tratamento de radioterapia contra um câncer de pele, o petista iniciou o ato exibindo um vídeo em que lia uma carta para si mesmo, escrita em 1979. “Após 47 anos e ganhar três eleições para a presidência da República, nem imaginava que poderia reconstruir o Brasil”, afirmou no material.

Um dos pontos centrais de sua fala foi a defesa das mulheres e o combate à violência de gênero. “Mulheres desse país, não baixem a cabeça nunca, porque os homens têm que aprender a respeitar vocês”, declarou Lula. O presidente também aproveitou para atacar duramente a gestão anterior, responsabilizando-a pelas mortes na pandemia. Em tom de alerta, disparou: “Enquanto eu for vivo, não vou permitir que a direita volte. Que futuro querem para o povo brasileiro se riem de quem morre asfixiado por falta de ar?”.
Flávio Bolsonaro: O “filho do Pelé” e a mensagem de batom

No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro reuniu cerca de 8,9 mil pessoas na praia de Copacabana, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP. Vestindo um colete à prova de balas e uma camiseta com a frase ‘O Brasil vai vencer’ escrita com batom por sua esposa – em referência a uma manifestante condenada pelo 8 de janeiro -, o senador focou na defesa do legado de Jair Bolsonaro. Sobre a comparação com o pai, que cumpre prisão domiciliar, ele recorreu a uma metáfora esportiva: “É difícil comparar o Pelé com o filho do Pelé, mas estou aqui com toda humildade”.

No local que foi palco tradicional de atos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mobilizações bolsonaristas Flávio prometeu que, se eleito em 2027, trará de volta figuras que classifica como “exilados” por “perseguição política”, mencionando nominalmente o ex-deputado Alexandre Ramagem e seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Na área de segurança, adotou um discurso incisivo, afirmando que tratará facções como o PCC e o Comando Vermelho como “terroristas” e criticando a perda de soberania do Estado. “O atual governo briga com país em outro continente, mas não briga com ladrão de celular”, ironizou.
Caiado promete “devolver o Brasil aos brasileiros de bem”

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), iniciou sua caminhada com uma carreata em Águas Lindas de Goiás (GO), sem a presença de seu vice, Gilberto Kassab. O candidato focou seu discurso na segurança pública e na experiência administrativa em seu estado. “Vou devolver o Brasil aos brasileiros de bem”, prometeu Caiado, ressaltando que é o único presidenciável com mandato que é oposição ferrenha ao atual governo. Ele também minimizou declarações recentes de Kassab sobre o apoio do “Centrão” a Lula, afirmando que as falas foram mal interpretadas.
Zema prega união da direita e critica diplomacia

Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) lançou sua campanha após uma missa em Montes Claros. O ex-governador defendeu sua experiência no setor privado e criticou a política externa de Lula, especialmente a aproximação com países como Cuba e Venezuela em detrimento dos Estados Unidos. Zema fez um apelo à união do seu campo político, citando o exemplo das eleições chilenas: “No segundo turno, toda a direita vai estar unida”.


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